Não me sinto eu mesma: Pode ser menopausa?
Compartilhe esse artigo

Você sente que não é mais a mesma mulher na menopausa ? Entenda como a perimenopausa e a menopausa podem afetar o bem-estar emocional.
Dra., eu não me sinto mais eu mesma.” Essa é uma frase que merece atenção.
Às vezes, ela vem acompanhada de lágrimas. Em outras ocasiões, aparece quase como um pedido de desculpas, como se a mulher estivesse tentando justificar por que anda mais irritada, menos paciente, esquecida ou sem a disposição de antes.
Ela pode dizer que perdeu a vontade de fazer coisas de que sempre gostou. Que está mais ansiosa. Que não consegue se concentrar no trabalho como antigamente. Que acorda cansada, mesmo depois de passar horas na cama. Ou que sente que alguma coisa mudou dentro dela, embora não consiga explicar exatamente o quê.
Em inglês, existe uma expressão que descreve muito bem essa experiência: “not feeling like myself” , ou seja, não se sentir como antes, não se reconhecer inteiramente.
Embora essa sensação possa ter diferentes causas, ela pode estar relacionada às mudanças hormonais da perimenopausa e da menopausa.
E existe algo importante que toda mulher precisa saber: sentir-se diferente não significa necessariamente que você está perdendo quem é. Pode ser um sinal de que seu corpo está passando por mudanças que merecem ser compreendidas.
O que significa não se sentir mais você mesma durante a menopausa?
A menopausa costuma ser associada a ondas de calor, suor noturno e interrupção da menstruação. Entretanto, as mudanças dessa fase podem ir muito além dos sintomas físicos.
Algumas mulheres percebem alterações no humor, na qualidade do sono, na capacidade de concentração, na memória e na maneira como lidam com o estresse.
Outras descrevem uma sensação mais difícil de definir: parecem menos pacientes, menos confiantes ou menos conectadas com a própria identidade.
É como se a mulher continuasse sendo a mesma profissional, mãe, parceira e amiga, mas precisasse fazer um esforço muito maior para desempenhar papéis que antes pareciam naturais.
Essa experiência não é um diagnóstico médico específico. É uma maneira de expressar um conjunto de mudanças físicas e emocionais que podem acontecer durante a transição para a menopausa.
Também é importante lembrar que nem todas as mulheres passam por isso. A experiência é individual e pode variar bastante de intensidade.
Por que a perimenopausa pode afetar o humor, a memória e o bem-estar emocional?
A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa. Nessa fase, a produção hormonal ovariana passa por mudanças, e os níveis de estrogênio podem oscilar de maneira significativa.
Essas alterações podem coincidir com sintomas que afetam diferentes aspectos da vida.
1. Alterações de humor, irritabilidade e ansiedade
Você sempre foi uma pessoa tranquila, mas agora sente que pequenas situações provocam reações desproporcionais?
Está mais impaciente, sensível ou ansiosa? Percebe que situações que antes administrava com facilidade agora parecem exigir toda a sua energia emocional?
Algumas mulheres apresentam maior vulnerabilidade a sintomas de ansiedade e alterações de humor durante a perimenopausa. Oscilações hormonais, predisposição individual, histórico de saúde mental, estresse e qualidade do sono podem contribuir para essa experiência.
Isso não significa que tudo seja culpa dos hormônios. Significa que eles podem fazer parte da explicação e precisam ser considerados junto aos demais fatores.
2. Névoa mental: quando parece que o cérebro não funciona como antes
“Dra., parece que estou ficando burra.”
Essa é uma forma muito dolorosa de descrever a névoa mental, também conhecida como brain fog.
A mulher começa a esquecer palavras, perde o fio de uma conversa, tem dificuldade para manter a atenção ou sente que precisa se esforçar mais para realizar tarefas habituais.
Queixas de memória e concentração podem ocorrer durante a transição menopausal. As alterações do sono, os sintomas vasomotores e as mudanças de humor também podem contribuir para essas dificuldades.
Na maioria das vezes, essas queixas não significam que a mulher esteja desenvolvendo demência. Ainda assim, sintomas persistentes, intensos ou progressivos precisam ser avaliados, pois existem outras causas possíveis.
3. Sono ruim e cansaço que não passa
Você acorda várias vezes durante a noite, sente calor, transpira ou desperta muito antes do horário habitual?
Ou até consegue dormir, mas parece que não descansou?
A queda da qualidade do sono pode ter um efeito importante sobre o humor, a memória, a concentração e a disposição física.
Os sintomas vasomotores, como ondas de calor e suores noturnos, podem interromper o sono. Alterações do humor, insônia e outros problemas de saúde também podem participar desse quadro.
Quando o descanso deixa de ser reparador, até as tarefas mais simples podem parecer mais difíceis.
4. Perda de disposição, motivação ou interesse
Algumas mulheres percebem que já não têm a mesma energia para atividades sociais, exercícios físicos, trabalho ou momentos de lazer.
É importante distinguir uma fase de cansaço de uma perda persistente de prazer, interesse ou motivação.
Quando esses sintomas são frequentes, duram semanas ou começam a comprometer a rotina, é necessário investigar a possibilidade de depressão ou de outras condições que merecem tratamento.
Não devemos normalizar todo sofrimento emocional como se fosse apenas uma consequência inevitável da idade.
Como saber se é perimenopausa ou se existe outra causa?
Essa é uma das perguntas mais importantes.
A perimenopausa pode começar anos antes da última menstruação. Em algumas mulheres, as primeiras mudanças percebidas são justamente alterações do sono, do humor ou da concentração, e não necessariamente as ondas de calor.
A suspeita pode ser maior quando esses sintomas aparecem junto a mudanças no ciclo menstrual, como irregularidade, alteração do fluxo ou intervalos diferentes entre as menstruações.
Entretanto, não existe um único sintoma capaz de confirmar que todas essas mudanças são causadas pelos hormônios.
Dependendo da história clínica, é importante considerar outras possibilidades, como:
- Privação de sono e estresse crônico.
- Ansiedade e depressão.
- Alterações da tireoide.
- Anemia ou deficiência de determinados nutrientes, quando houver suspeita clínica.
- Efeitos de medicamentos ou outras condições de saúde.
A avaliação médica deve considerar a idade, o padrão menstrual, os sintomas, o histórico pessoal e familiar e os possíveis diagnósticos diferenciais.
Em mulheres saudáveis com 45 anos ou mais, a identificação da perimenopausa e da menopausa costuma ser predominantemente clínica. Exames hormonais isolados nem sempre ajudam, porque os níveis hormonais podem oscilar durante essa transição.
O objetivo não é atribuir todos os sintomas à menopausa, mas compreender o que está acontecendo e identificar o cuidado mais adequado.
O que pode ajudar você a voltar a se sentir bem?
A boa notícia é que existem estratégias capazes de melhorar a qualidade de vida nessa fase.
O tratamento depende dos sintomas, da intensidade do desconforto, das condições de saúde e das preferências de cada mulher.
Cuide do sono
Manter horários regulares, praticar atividade física e investigar a insônia são medidas importantes. Se ondas de calor e suores noturnos interrompem seu descanso, tratá-los pode ajudar a melhorar também a disposição e a concentração.
Priorize a atividade física e a alimentação
Exercícios aeróbicos, treinamento de força e uma alimentação equilibrada contribuem para a saúde metabólica, cardiovascular, óssea e emocional.
Esses hábitos não substituem um tratamento quando ele é necessário, mas fazem parte de uma estratégia abrangente de saúde durante o envelhecimento.
Observe suas emoções sem se culpar
Perceber mudanças no humor não significa que você se tornou uma pessoa pior, menos competente ou menos capaz.
Se a ansiedade, a irritabilidade ou a tristeza estiverem prejudicando sua rotina, a psicoterapia e, quando indicada, a avaliação psiquiátrica podem fazer parte do cuidado.
Converse com seu ginecologista sobre as opções de tratamento
A terapia hormonal da menopausa pode ser uma opção para mulheres com indicação clínica, especialmente quando apresentam sintomas vasomotores incômodos. Em determinadas pacientes, a melhora desses sintomas e do sono também pode favorecer o bem-estar geral.
A decisão deve considerar benefícios, riscos, contraindicações, idade, tempo desde a menopausa e histórico individual.
É importante esclarecer que a terapia hormonal não é indicada indiscriminadamente para todas as mulheres, nem deve ser prescrita como tratamento universal para alterações de memória, depressão ou ansiedade. A evidência não sustenta seu uso para prevenir demência.
Quando há sintomas depressivos ou ansiosos, eles devem ser avaliados e tratados de acordo com suas características, independentemente de estarem associados à transição menopausal.
O mais importante é construir um plano de cuidado individualizado, em vez de tentar resolver todos os sintomas com uma única intervenção.
Quando procurar ajuda médica?
Se você sente que perdeu parte da sua disposição, da sua clareza mental ou do seu equilíbrio emocional, não precisa esperar que os sintomas se tornem insuportáveis.
Procure avaliação se perceber:
- Mudanças persistentes de humor ou aumento importante da ansiedade.
- Dificuldades de memória e concentração que interferem no trabalho ou nas atividades diárias.
- Insônia frequente ou cansaço constante.
- Ondas de calor e suores noturnos que prejudicam o sono.
- Perda de interesse por atividades de que gostava.
- Alterações menstruais acompanhadas de outros sintomas que sugiram a transição menopausal.
Sintomas intensos, progressivos ou que prejudiquem significativamente sua capacidade de funcionar no dia a dia não devem ser atribuídos automaticamente à menopausa. Pensamentos de autoagressão ou suicídio exigem ajuda imediata.
Você não precisa aceitar que essa fase seja sinônimo de sofrimento
A menopausa é uma etapa natural da vida, mas isso não significa que todos os sintomas devam ser suportados em silêncio.
Talvez você esteja acostumada a dar conta de tudo: da carreira, da família, dos relacionamentos e das expectativas que criou para si mesma.
Por isso, perceber que está com menos energia, mais sensível ou com dificuldade de concentração pode gerar uma sensação de estranhamento e até de culpa.
Mas existe uma diferença importante entre reconhecer que você está mudando e acreditar que precisa conviver com o desconforto sem buscar ajuda.
A mulher que chega à perimenopausa não deixa de ser quem é. Ela está atravessando uma fase de transição que merece informação, acolhimento e cuidado individualizado.
Se você tem se perguntado “Why am I not feeling like myself?” — por que não me sinto mais eu mesma? — talvez seja hora de olhar para esses sinais com mais atenção.
Não para encontrar um problema em cada mudança, mas para compreender seu corpo, investigar o que precisa ser investigado e recuperar qualidade de vida.
Você não precisa voltar a ser exatamente quem era antes. Precisa ter a oportunidade de se sentir bem na mulher que é hoje.
Um convite ao cuidado
Na consulta ginecológica, olhar para a menopausa significa muito mais do que avaliar os hormônios. Significa compreender o sono, o humor, a saúde sexual, a composição corporal, os fatores de risco e o momento de vida de cada mulher.
Se você percebe mudanças que estão afetando sua qualidade de vida, uma avaliação individualizada pode ajudar a identificar as causas e definir as melhores estratégias para você.
Agende sua consulta com a Dra. Marina Berté para conversar sobre seus sintomas e construir um plano de cuidado alinhado às suas necessidades.







